18 . 06 . 2021

RH Ágil: experiência do colaborador no centro da estratégia

Modelo de gestão de pessoas da Wiz, implementado em 2017, torna-se referência de uso bem-sucedido da metodologia ágil focada no RH digital

Entrega de valor ao cliente, sustentabilidade, trabalho coletivo e colaborativo, auto-organização, tolerância e transparência. Essas palavras-chaves definem a metodologia Ágil e, há alguns anos, são também diretrizes para a forma de atuação do RH da Wiz. As transformações com a implementação desses princípios foram tão expressivas que atraíram o olhar de Marco Ornellas, autor do livro “Uma nova (des)ordem organizacional”, que escolheu a experiência da empresa como um dos cases de sucesso apresentados na obra. 

Ornellas – que, além de escritor, é consultor organizacional  e coach – conta que tomou conhecimento das conquistas da área de Gente e Gestão da Wiz quando buscava casos práticos bem-sucedidos da aplicação da metodologia. “Fui surpreendido com a coragem e o arrojo muito à frente de outras empresas demonstrados na transição para uma realidade digital”, destaca. 

O autor argumenta que as áreas de Recursos Humanos devem acompanhar os dilemas e oportunidades apresentados pela 4ª Revolução Industrial (marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas) e desenhar um novo formato de atuação com esse foco. “A Wiz é uma das poucas que estão fazendo o RH focado na experiência, acompanhando mudanças significativas nas relações entre o colaborador e a empresa.”

Na empresa, a grande virada para o RH Ágil aconteceu em 2017, quando fez uma adaptação expressiva dos seus processos. “Claro que não fizemos isso sozinhos. Quando falamos de cultura, não é a atuação de uma área isolada, mas uma decisão de engajamento institucional. Eram inúmeras pessoas envolvidas, da Comunicação Institucional ao CEO”, conta Carolina Bento, diretora de Gente e Gestão da Wiz. 

Na percepção dela, a área precisou atuar como grande guardiã e impulsionadora da cultura ágil. Assim, em um primeiro momento, para alcançá-la, as pessoas envolvidas priorizaram, antes mesmo de inovação e tecnologia, a busca por uma mudança de mentalidade. Debruçaram-se sobre perguntas que levassem à reconstrução das relações tradicionalmente enraizadas no papel do RH. 

“O que mais encontramos hoje é o RH convencional, que não se reinventa para mudar o status quo. Eu diria que esse ainda é um segmento muito conservador”, avalia Ornellas. Ele lembra que, como consultor em outras empresas, chegou a ter de lidar com um volume de papel que ocupava um auditório inteiro. “Minha vontade era digitalizar tudo e passar com um lança-chamas!”, ri. 

O autor brinca para exemplificar o tamanho do desafio de construir uma cultura digital, de agilidade e de valor em uma estrutura marcada historicamente pela burocracia. E, de fato, a cultura ágil não trabalha com “receita de bolo”. É preciso deixar de incorporar as melhores fórmulas do mercado para conceber as próprias soluções, uma vez que as questões são complexas e específicas para cada empresa e segmento. 

Para a Wiz, o primeiro passo foi renovar a relação de confiança dentro de casa, para que as pessoas estivessem abertas às propostas e a participar ativamente do processo. “Dessa forma, transformamos as ideias para gerar produtos aos colaboradores. Paramos de olhar para eles como meio e os percebemos como nosso cliente”, explica Carolina. 

Em pouco tempo, o que parecia ainda distante foi se tornando tangível. O Ágil começou a figurar entre os valores da Wiz, que, na prática, transformaram-se em competências. Toda a jornada dos colaboradores dentro da empresa passou a ser orientada pela metodologia, a partir do desenho de propósitos claros que possibilitaram pensar na experiência deles antes, durante e depois. Isto é, desde a atração do colaborador, seu recrutamento, passando pela experiência dentro de casa, seu desenvolvimento profissional e, até mesmo, no desligamento.

Desempenho

E foi com essa estrutura consolidada que Tito Simões, gerente de Projetos Ágeis da Wiz, chegou à empresa. Ele vê na simplicidade que a metodologia traz ao dia a dia a chave para uma atuação colaborativa dentro da equipe e destaca, por exemplo, o ganho nos processos de feedback. “Hoje, nós conseguimos fazê-los quase semanalmente, conforme as coisas vão acontecendo. Claro, ainda existe o processo formal, mas eu não tenho que esperar ele acontecer. Isso tem a ver com agilidade no desenvolvimento de pessoas”, descreve. 

Segundo o gerente, às vezes, aguardar três meses é tempo demais para uma conversa desse tipo. Ele reforça o viés cognitivo do processo: “Você lembra de algo que aconteceu recentemente e isso vira a tônica do seu feedback”. Dentro do contexto colaborativo fomentado pela metodologia, ele também estabeleceu, com apoio do RH, uma iniciativa semanal pela qual os Wizzers são reconhecidos por alguma atitude que tenha afinidade com os valores da empresa. 

Tito acrescenta que, para encontrar a origem dos problemas e reconhecer as soluções, é essencial ter transparência na gestão. “É preciso colocar na mesa e resolver. Em um processo mais tradicional, não é comum à cultura e à mentalidade dos gestores ter tanto compartilhamento. É mais normal encontrar alguém que queira controlar e determinar como vai acontecer a comunicação, de forma hierárquica. Isso, às vezes, é até mais uma fonte de conflito”, analisa.

Perspectivas

Agilidade é, principalmente, adaptar-se com mais rapidez às mudanças e aos novos cenários. A diretora de Gente e Gestão lembra que a pandemia demandou das empresas uma habilidade extra para modificar processos e atualizar rotinas. No caso da Wiz, como a adaptabilidade e a colaboração já estavam entre os valores, ela pôde se reinventar com agilidade e assertividade. “Como um todo, o RH estava preparado para os desafios, e não tivemos grandes dificuldades processuais na frente de pessoas. De qualquer forma, acredito que o momento da pandemia nos impulsionou a novos aprendizados dentro do que já tínhamos estruturado a expectativa é que estejamos sempre aprendendo, desaprendendo e reaprendendo.” 

Carolina avalia que, atualmente, o maior desafio está em trazer os fornecedores para mais perto da metodologia de trabalho que o time de RH da Wiz utiliza. “Queremos que nossos parceiros nos acompanhem rumo à inovação. Já podemos ver que muitos abandonaram aquele tom de rivalidade do negócio para buscar soluções em que os dois ganham, construindo mais uma camada de confiança.” Segundo ela, um dos segredos do Ágil está em sempre olhar para o novo sem apego ao que foi definido anteriormente, valorizando a capacidade de atualizar e de conectar. 

Tendências da metodologia Ágil para RH

  • Redes colaborativas mais do que estruturas hierárquicas;
  • Transparência mais do que sigilo;
  • Adaptabilidade mais do que prescrição;
  • Inspirar e comprometer-se mais do que gerenciar e reter;
  • Motivação intrínseca mais do que recompensas extrínsecas;
  • Ambição mais do que obrigação.

Saiba mais em:

Livro: Uma nova (des)ordem organizacional

Autor: Marco Ornellas

Editora: Colmeia Edições