Como os seguros podem auxiliar empresas de saúde e hospitais?

O novo coronavírus vem provocando mudanças na forma de trabalho de todo o planeta. Como um dos setores mais afetados pela crise mundial, a área da saúde se vê obrigada a buscar alternativas para a realização da prática médica em tempos de isolamento social e superlotação dos hospitais. Uma delas é a telemedicina, que consiste no atendimento de maneira remota via aplicativos, web e equipamentos audiovisuais, além da realização de procedimentos por meio de robôs.

Recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) enviou ao Ministério da Saúde um ofício que reconhece a prática, antes restrita pela entidade, em caráter emergencial para o combate à pandemia do novo coronavírus. No dia 31 de março, o Senado aprovou o projeto de lei que regulamenta o uso da telemedicina enquanto o vírus for uma ameaça ao país. O tema agora segue para sanção da Presidência da República.

Antes da pandemia, a telemedicina já era utilizada, porém, em pequena escala. Agora, no contexto do COVID-19, as empresas, planos de saúde e hospitais passaram a aumentar o atendimento online e via aplicativos, com o objetivo de contribuir com o isolamento social, reduzindo as idas a Pronto Socorros, mas, ainda assim, prestando um serviço de saúde para a população. A prática não é um substituto ao atendimento presencial, mas permite maior acessibilidade e escalabilidade do serviço de saúde.

Esta nova configuração de atendimento deve impactar o setor de seguros e gera dúvidas aos profissionais da saúde que querem se resguardar de possíveis erros e omissões com apólices de E&O Médico, por exemplo. Para especialistas em seguros, a prática médica é o que embasa a apólice deste produto, a despeito de como o atendimento é realizado. O erro em um diagnóstico, por exemplo, independe da ferramenta ou canal pelo qual ele é feito, pois trata da prática médica em si — que é o objeto do E&O Médico.

A telemedicina, no entanto, provoca mudanças na maneira como as instituições se organizam, protegem seus dados e até mesmo na infraestrutura que dá suporte ao atendimento. Desta forma, especialistas chamam atenção sobre a importância de se fazer uma gestão de riscos completa. O mercado segurador deverá se adequar e inovar em suas coberturas e condições para atender essa nova tendência.
É necessário um olhar para todas as áreas do negócio, uma vez que as empresas terão que tomar decisões e cuidados que ultrapassam a prática médica.

O profissional da saúde não só vai ser responsável pela consulta, mas também pelo sigilo dos dados do paciente, como prontuários e exames. É importante se preocupar com gerenciamento dos riscos aos quais a empresa está exposta, como por exemplo, decisões administrativas, contratando um D&O ou com o vazamento de dados de seus pacientes, que estaria amparado no seguro de Cyber.

Apesar de não sabermos ainda os impactos a longo prazo desta prática ou da pandemia no Brasil, é certo que o mercado segurador deve se movimentar para auxiliar na prevenção de perdas e prejuízos. A telemedicina é apontada como uma tendência forte para o futuro do setor de saúde e seguro é fundamental para que esses profissionais tenham respaldo e mais segurança, seja no meio físico ou digital.

As seguradoras e corretoras devem se antecipar em montar apólices e combinar produtos para esse público, seja para o médico que faz o atendimento, seja para empresas que intermediam ou hospitais e empresas de saúde que oferecem esse serviço.

 

Paula Ferraz — Gerente Técnica da Wiz Corporate

Amanda Corcino — Analista de Marketing da Wiz Corporate