25 . 11 . 2021

Mercado de seguros no Brasil: muita oferta, pouca capilaridade

Artigo publicado no Estadão em 03/10/2021 por Hugo Teóphilo, Stephanie Zalcman e Pollianna Prado*

A discussão sobre a competitividade das empresas brasileiras é um tema que nos cerca e que ainda temos muito que avançar. Um ângulo muitas vezes subestimado desta discussão é de como proteger as operações das empresas dos diversos riscos a que estão sujeitas, garantindo sua prosperidade ano após ano.

Ao mesmo tempo, quando testamos a força e a capacidade de adaptação da nossa economia em comparação com outras potências, nos deparamos com mais um choque de realidade: o cenário adverso nos forçou a fazer reestruturações drásticas na forma como trabalhamos e comercializamos nossos produtos e serviços.

Neste cenário, a indústria de seguros continuará tendo papel fundamental na melhoria do ambiente competitivo brasileiro na medida em que avança com ofertas de soluções empresariais completas ao mercado. Para ajudar as empresas brasileiras a navegarem no tema, realizamos um estudo inédito no Brasil acerca da oferta de seguros nas 46 principais seguradoras que atualmente operam no País, em 61 ramos diferentes. Nossa pesquisa trouxe dados importantes para o setor de seguros sobre ampliação do leque de serviços e ramos ainda tratados como nichos no mercado.

Um ponto que chama atenção é a concentração da oferta em poucas seguradoras. Identificamos que 30% delas conseguem cobrir apenas entre 10% e 30% das necessidades das empresas e outros 30% entre 30% e 50%.  E um dado ainda mais impressionante: apenas 7% possuem capacidade para atender mais de 80% dos ramos de seguros. Esses números deixam claro que apesar de termos uma grande oferta de seguradoras atuantes no País, poucas conseguem atender com capilaridade, levando as empresas a precisarem negociar com seguradoras diferentes na maioria das vezes.

Outro insight revelado pela pesquisa é que a maioria das seguradoras focam nos mesmos produtos, como Seguro Garantia e Riscos Financeiros, presentes em 72% das empresas; enquanto alguns seguros são ofertados por apenas 22% delas, como Lucros Cessantes e Danos, deixando evidente a concentração do mercado.

Comparando apenas as empresas com ofertas no ramo em relação ao total de seguradoras, temos um índice de eficiência do mercado de 35%. Isso significa que existe muito espaço para as seguradoras aumentarem seus portfolios de produtos e ocuparem esta lacuna.

Os dados da pesquisa também demonstram as dificuldades que as empresas encontram no seu dia a dia na hora de contratar seguros: ter que navegar entre várias seguradoras para proteger o seu negócio. Com várias apólices, de diferentes seguradoras para controlar, os gestores despendem muito tempo e perdem a agilidade que os tempos modernos exigem.

De forma resumida, podemos apontar duas grandes oportunidades de crescimento para o setor reveladas pelo estudo: ganho de market share com ampliação de ofertas e soluções digitais que centralizem e facilitem a gestão dos diversos contratos de diferentes seguradoras que os gestores precisam lidar no dia a dia. O setor de seguros é um ambiente tradicional e conservador, mas, nem por isso, precisa ser arcaico. É preciso evoluir.

*Hugo Teóphilo é consultor da Wiz Corporate. Graduado em Administração com mestrado em Estratégia e Desenvolvimento Organizacional pela National University of Singapore, possui mais de 15 anos de experiência no mercado de produtos e serviços financeiros

*Stephanie Zalcman é diretora Técnica da Wiz Corporate. Formada em Direito com especialização em Contabilidade e Finanças e Business Management Programme Certificate pelo Insead (França), possui mais de 15 anos de experiência no mercado de seguros

*Pollianna Prado é gerente de Estratégia & Inovação da Wiz Corporate. Graduada em Publicidade e Propaganda, com especialização em Marketing pela FGV, possui mais de 10 anos de experiência na área de projetos digitais