31 . 01 . 2019

Já ouviu falar que “felicidade é só questão de ser”?

Até quando precisaremos de um mês, instituído como o Mês de Cuidado da Saúde Mental — o Janeiro Branco, para nos lembrar que precisamos mesmo cuidar da gente? Não quero que as próximas linhas venham em tom de bronca, prometo que não vão ser, mas a verdade é que a gente se importa muito com tanta coisa ao mesmo tempo, gasta tanta energia pra todo lado que acabamos nos esquecendo de quem muito importa: nós mesmos.

Te convido a fazer um exercício rápido:

Quando foi a última vez que você respirou fundo em um lugar tranquilo, encheu os pulmões e de fato prestou atenção em você (e não no que os outros iriam achar)? Quando você conseguiu aproveitar o silêncio de uma forma tão profunda que nem viu o tempo passar (e acabou esquecendo de bater a foto para o Instagram)? Você se lembra quando conseguiu se conectar com você mesmo (a) e se percebeu sem os pesos do dia a dia? Ou de quantas vezes você acordou com aquela dor chata pela manhã, ou conseguiu fazer todas as refeições no dia sem pressa? E ainda, se lembra quando você saiu do trabalho às 18h e não ficou com a sensação de que tinha algo de errado em sair no horário? É, a gente corre muito, dá um jeito de cuidar de tudo, sempre tentando atender todas as expectativas. Corremos tanto que “eu acho que estou esquecendo de alguma coisa…”.

A gente tem a cabeça esquecida mesmo e precisamos nos lembrar constantemente que não somos só trabalho, não somos só expectativas, não somos só obrigações, não somos só problemas e nem somos só corpo. “O difícil é entender que não somos corpo! Somos mente. Também somos corpo, mas ele deveria ser uma expressão saudável de nossas mentes.”, escreveu um grande amigo meu (Obrigada, Guto!).

Eu realmente acredito que o nosso corpo é uma das estruturas mais inteligentes que existem e ele foi feito pra nos dar alertas tanto de prazer quanto de perigo. A dor, a ansiedade, a angústia e outras emoções podem ser reações que o nosso corpo às vezes grita pra nos mostrar que há algo de errado. Não se engane: uma dor nem sempre é só uma dor. Aos sintomas podem estar relacionados um mundo inteiro de coisas que precisam ser olhadas com carinho e ditas com coragem (falar de si mesmo (a) pode ser muito difícil, eu sei).

Eu, psicóloga e paciente que sou, não poderia deixar de falar da importância da fala e do acompanhamento psicológico no processo de cuidado e valorização da nossa saúde mental. O espaço de fala livre e escuta sem julgamentos pode ser um refúgio e um divisor de águas importante pra vida (#dica: procure alguém que faz acompanhamento terapêutico/analítico pra te contar sua experiência, pesquise mais, quebre resistências!).

Giz de cera quebrado ainda colore

Afinal, onde está a felicidade do título deste texto? Quando a gente se abrir pra gente e perceber que a prioridade das nossas vidas deve ser nós mesmos, vamos entender que “haverá um dia em que você não haverá de ser feliz” simplesmente porque saberemos encontrar e preservar nosso bem-estar e saúde para além do corpo. Que este tenha sido apenas um lembrete de muitos outros que você terá daqui pra frente. Cuida de você também, tá?

Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você/ Chorar, sorrir também e dançar/ Dançar na chuva quando a chuva vem” (Trecho de Felicidade — Marcelo Jeneci)

Hoje, eu escolho alegria

Elena Pinheiro — Analista de Gente & Gestão