09 . 03 . 2018

Eu só queria ajudar as pessoas, mas no meio do caminho me encontrei.

Olá, sou a Carolina Bento, tenho formação em Psicologia e MBA em Gestão de Negócios. Atualmente ocupo a posição de Superintendente de Gente e Gestão da unidade Corporate da Wiz, que atua com seguros para o segmento B2B. Mas o que desempenho melhor, hoje em dia, é minha função de mãe da Catarina ❤.

Quando comecei na antiga área de RH, atualmente conhecida como Gente e Gestão (aos leitores peço que não calculem a idade, rs.), minha maior motivação era pagar minha faculdade, até porque, no início da mesma, o que eu mais queria dentro da psicologia era trabalhar na área clínica. Mas algo maior foi me inspirando e comecei a perceber que poderia ajudar pessoas de outra forma, que era o meu grande propósito quando escolhi essa profissão. Depois disso foi só amor! Comecei a perceber, em diversos subsistemas no RH, que eu conseguia ir além do processo e que meu lado psicóloga me permitia ver mais dos profissionais que estavam ali, dependendo, de alguma forma, de minhas entregas ou resultados. Eram pessoas que tinham vidas, famílias e aspirações profissionais, e então pensei: “pronto, me encontrei! ”

Dali em diante, uma das minhas ambições profissionais foi ser reconhecida pelo que faço e como faço e, assim, chegar numa posição de liderança na área de Gente e Gestão (G&G), onde me encontro hoje. Porém, essa vontade sempre competiu diretamente com o grande sonho de construir uma família e ser mãe. Na verdade, poderia dizer que essa sempre foi minha prioridade, e por muitas vezes abri mão de acelerar minha trajetória profissional para dar lugar ao sonho da maternidade.

Encontrei no caminho muitos obstáculos e dificuldades: por ser mulher, pelo sonho da maternidade, mas principalmente, pela escolha de minha formação, a Psicologia.

Em diversas oportunidades, acredito não ter sido vista como profissionais que fizeram outros cursos acadêmicos, mas isso não fez com que eu me abatesse, muito pelo contrário, me motivou a correr atrás, a querer fazer e saber mais para mostrar tudo que eu era capaz.

Como tudo começou…

Eu iniciei minha carreira como estagiária na área de treinamento em uma empresa do setor público. Não querendo desmerecer, até porque trabalhava muito lá, percebi que o modelo de trabalho e o sistema não me agradavam. Então, procurei uma empresa privada, ainda como estagiária, para entender como era o modelo de gestão e ali percebi que estava começando a gostar da psicologia organizacional. Nessa época, continuava na área de treinamento e desenvolvimento e foi quando tive minha efetivação após 1 ano de estágio.

Com quase 3 anos de empresa, senti uma grande necessidade de conhecer mais sobre outros subsistemas de Gente e Gestão e de ter maiores desafios. Nessa época, apareceu a oportunidade de ir para uma empresa de grande porte.

E foi lá que me apaixonei de vez. Tive um amor à primeira vista por todos os outros processos de G&G. Comecei a entender o quanto eu era movida por resultados, desafios, metas e por sonhar grande! Impressionante como aprendi. Despertou meu lado administradora, que precisou sair da zona de conforto da psicologia para ter visão de negócio, pois, caso contrário, de nada adiantaria eu entender de pessoas, se não pudesse agregar algum valor para as demais áreas. E lá se foram 7 anos de muita dedicação. No entanto, como tudo tem seu tempo, percebi que precisava de novos estímulos e desafios.

Foi assim que cheguei na Wiz, acreditando que tudo que aprendi poderia ser colocado em prática de forma mais madura, clara e com muita dedicação.

Mas… logo no começo, veio junto um outro sonho: a maternidade. E que delícia foi realizar o sonho de ser mãe! Quem me conhece sabe o que representava para mim aquele momento. Foram meses de trabalho, muito trabalho, até um dia antes da minha filha vir ao mundo, para não deixar nenhuma “bola cair”, até porque gravidez não é doença! rs.

Foram seis meses de muitas alegrias, amor e de muito trabalho duro, em casa. Engana-se quem acha que a mulher descansa na licença maternidade, é o maior desafio que passamos na vida. Depois de ser mãe, tenho certeza que assumo qualquer outra responsabilidade com muita facilidade, nem em meus maiores sonhos imaginaria que ser mãe era a “profissão” mais difícil que existia. E posso afirmar que não existe nada que compense mais que o amor que um filho proporciona em nossa vida, é imensurável!

Mas não vou negar que sentia falta da rotina do trabalho corporativo. Sim, não há problema em querer voltar a trabalhar, seus filhos não te amarão menos por isso. Todavia, o que descobri é que poderia ser mais complexo ainda ser mãe e profissional no mercado de trabalho.

Conciliar horários, comprometimentos, entregas e qualidade com a rotina de casa, filho e marido não é tarefa fácil.

Comigo não foi diferente, comecei a tornar minhas horas no trabalho as mais produtivas possíveis. E, com essa postura decisiva, fui mostrando que era possível, sim, conciliar ser mãe de uma bebê linda, fazer MBA, iniciar o primeiro cargo de gestão e liderança na Wiz. Tudo isso só foi possível porque acreditei na minha competência e objetivos e não me apeguei a desculpas. As dificuldades vinham, os obstáculos apareciam e eu me mantive firme no objetivo de ser uma boa mãe e profissional. Sei que por diversas vezes falhei em ambos os lados, mas tive a humildade de reconhecer os erros, de pedir desculpas e de seguir em frente.

E agora, como estou?

Sei que estou em um dos melhores momentos da minha vida profissional. Amo o que faço, admiro meu time, adoro a minha área e tenho orgulho das entregas que fazemos, além de ser apaixonada pela empresa! Tenho momentos difíceis? Sim, muitos! Mas as pessoas com as quais trabalho tornam tudo mais leve e possível.

Se eu pudesse dar uma dica para as mulheres que têm os mesmos desejos, angústias e anseios que eu tive e tenho, eu diria para não desistirem de ser sempre melhores no que fazem. Se escolherem fazer algo, deem tudo de si, deem seu melhor!

Atualizem-se, tenham empatia, e, por fim, mas não menos importante, saibam escutar as pessoas, vocês sempre terão algo para aprender, nunca sabemos de tudo! É “ser Beta” que chama né?

Carolina Bento, Superintendente de Gente e Gestão