25 . 05 . 2018

Diversidade: Quem? Quando?

“Já fui loura, já fui morena, já fui Margarida e Beatriz. Já fui Maria e Madalena. Só não pude ser como quis” diz Cecília Meireles em seu poema Mulher no Espelho.

É com esse trecho de um texto que quero começar dizendo: enquanto não buscarmos um mundo mais justo, respeitoso e digno, seremos de tudo, Margaridas a Madalenas, menos quem quisermos ser.

Já quis ser a moça do mercado que andava de patins (quem nunca?), já quis ser policial, já quis ser bióloga marinha e já quis ser — a extinta profissão — datilógrafa. E de todos os desejos, me encontrei na minha paixão: a Psicologia. Nunca me imaginei trabalhando em uma empresa privada, tinha convicção que meu lugar era por aí oferendo acolhimento, proporcionando apoio e voz àqueles tão “invisíveis”, gerando impactos sociais positivos. E das mais gratas surpresas da minha jornada, descobri que em empresa é sim lugar de falar de pessoas, de possibilitar acesso e representatividade, e vou ainda mais longe: as empresas têm um papel fundamental no estabelecimento da justiça social em nosso país.

Cheguei na Wiz como estagiária de Responsabilidade Social Empresarial. Logo recebi a missão de promover a diversidade e a inclusão, então fui efetivada. Sabia da importância do tema e me questionava se conseguiria dar conta de algo tão relevante, afinal, este é um dos nossos valores: estabelecermos conexões éticas e socialmente responsáveis. E cheguei até a me perguntar: serei eu? Agora?

E bom, eu sabia que empresas diversas performam melhor ou que empresas diversas obtém retornos financeiros acima da média, e talvez seja algo que vocês também já saibam, mas será que, de fato, acreditamos nisso?

O que uma empresa que distribui serviços financeiros e de seguros tem a ver com a promoção da equidade na sociedade? Descobri que tínhamos tudo a ver quando lançamos o Ligue-se, A Liga de Diversidade da Wiz. Dos mais variados treinamentos sobre diversidade e inclusão, descobri nas conversas de corredor as mais lindas histórias de nossos Wizzers — “sempre sonhei em poder falar sobre isso no meu local de trabalho”, ou nos vários e-mails que passei a receber com indicação de sites, blogs e eventos inclusivos (manda mais! ❤). Aí então respondi à minha própria pergunta: quando as pessoas se sentirem bem-vindas pra serem como são — isso é inclusão -, teremos pessoas dispostas a entregar o melhor serviço e que atendam às tão diversas perspectivas da nossa sociedade moderna. Em suma, RE-PRE-SEN-TA-TI-VI-DA-DE.

Foi com essa palavra que descobri que as empresas sempre vão falhar em acelerar as inovações enquanto suas melhores mentes não estiverem na sala. E essas mentes brilhantes podem vir absolutamente de qualquer lugar, independente de background, cor, gênero, orientação sexual, idade, etc.

Sabemos que ainda temos um longo caminho a percorrer na Wiz, afinal, não existe uma solução mágica para tornar o ambiente de trabalho inclusivo, leva tempo e esforço. E faço a você um convite para pensar no uso da palavra “empresa”. Eu digo que somos “nós” as pessoas responsáveis por essas mudanças. Pense na diversidade como fato, já a inclusão, pense como ato. E se, assim como eu, você se questionar se é a pessoa para isso, e se estamos na hora certa, fica um conselho que eu aprendi: se não eu, quem? Se não agora, quando?

Juliana Nunes — Analista de Responsabilidade Social Empresarial