10 . 09 . 2021

Celeiro Vó Tunica e Wiz – A importância da comunicação no desenvolvimento profissional

Jovens em situação de vulnerabilidade social são amparados por abrigos, onde podem permanecer até serem adotados por outras famílias ou até completarem 18 anos. Mas, ao completarem a maioridade, deixam essas instituições para viver por conta própria, mesmo quando não possuem qualquer tipo de apoio ou capacitação profissional. Dessa forma, qual suporte terão para se estabelecerem na vida e no mercado de trabalho? Pensando nessas questões, nasceu, em novembro de 2019, o Projeto Celeiro Vó Tunica.

O Celeiro Vó Tunica é uma república para jovens mulheres que viveram em abrigos e, ao completarem 18 anos, precisam sair. A iniciativa consiste em ajudá-las nesse momento de transição para a vida adulta, auxiliando no desenvolvimento da autonomia e independência até que completem 21 anos.

A idealizadora do projeto Celeiro Vó Tunica, Djane Sant’Anna, conta que ele nasceu como uma homenagem à sua mãe, Vó Tunica, junto à vontade de poder ajudar mais ativamente essas jovens mulheres, que estão iniciando sua vida adulta. “Nossa vontade era estar mais presente na vida dessas jovens, proporcionar a elas ensinamentos e suporte, garantindo que elas possam ter sucesso e autonomia em suas vidas”, afirma Djane.

Djane explica os pilares de atuação e como funciona a relação com as meninas. “Atuamos em três pilares, que são os pilares que minha mãe perpetuava – acolhimento, qualificação e cuidado. Então, fazemos um grande acordo com as meninas, no qual oferecemos acolhimento aqui na casa, cuidado com suas questões pessoais, que são acompanhadas e atendidas dentro da particularidade de cada uma e, a qualificação, em que ofertamos cursos e treinamentos que sejam enriquecedores para suas vidas e carreiras. Em contrapartida, elas não podem se recusar a trabalhar, estudar e aprender.”

Na Wiz, temos um olhar dedicado às pautas sociais e de sustentabilidade, defendemos a equidade de gênero e trabalhamos para que mulheres tenham as mesmas condições que os homens de ingressar no mercado de trabalho. Desde 2020 somos apoiadores do Projeto Celeiro Vó Tunica e, este ano, promovemos uma ação de desenvolvimento com as jovens de uma das casas Celeiro. Nossa Diretora Executiva, Robertha Mota, foi a mentora da ação, que consistiu na realização de quatro encontros, no formato de rodas de diálogo com as jovens, para compartilhar vivências e objetivos, aprender sobre o desenvolvimento pessoal e profissional, e desenvolver habilidades técnicas e comportamentais para oferecer um atendimento de excelência em qualquer área de atuação.

“Foi uma oportunidade incrível ser mentora dessa ação, as meninas participaram ativamente de todos os encontros e contribuíram diretamente com a evolução dos temas, pois colocavam na prática o conteúdo trabalhado. A troca entre pessoas que estão começando com as que já possuem uma trajetória profissional consolidada, e que estão dispostas a dividir experiências, expande o repertório de quem está iniciando sua jornada”, conta Robertha, após o encerramento dos encontros.

A jovem Bruna Silva foi uma das participantes da ação. Ela está há pouco mais de um ano em uma das Casas Celeiro Vó Tunica e ficou entusiasmada com a oportunidade. “Foi uma troca muito gratificante e importante para gente. Eu trabalho na área de Tecnologia da Informação, com Governança, e mesmo sendo uma área de desenvolvimento, sempre tenho que me comunicar com pessoas de outras áreas, com atendimento ao cliente interno, e até mesmo para pedir ajuda e conselhos”, relata.

Bruna nos contou os ensinamentos que mais a marcou, os quais já começou a aplicar em seu dia a dia profissional, sobre comunicação ativa e rapport. “A Robertha nos falou da importância de nos comunicarmos ativamente com as pessoas, isso eu acabei trazendo para meu trabalho no momento de treinamento. Não basta apenas a gente ouvir, temos que participar ativamente, isso mostra interesse e entendimento sobre o que está sendo ensinado”, conta Bruna.

Os quatro encontros foram facilitados pela especialista em capacitação de pessoas, Diana Soares. As programações envolviam orientações e dicas de como realizar um bom atendimento, incluindo orientações para uma boa comunicação, tanto verbal quanto corporal, como ser assertiva e como conhecer seus clientes.

Acostumada a facilitar encontros 100% online, Diana conta que foi um momento muito prazeroso, mas também desafiador. “Adaptar o discurso, a linguagem e os conteúdos para entregá-los de forma didática foi desafiador, ao mesmo tempo, foi surpreendente presenciar a força da co-criação em grupo, a presença e atuação da Robertha também trouxe um clima de bate-papo, com leveza, ao tempo que consegui trazer todas para o foco no conteúdo que precisava ser transmitido. Foi especial entrar em contato com essas jovens e suas necessidades tão genuínas nessa etapa da vida de tantas descobertas e anseios profissionais”.

O Projeto Celeiro Vó Tunica tem o objetivo de, até 2025, trabalhar com 10 casas, atendendo 60 jovens para auxiliá-las a adquirem autonomia e poderem se realizar em suas vidas pessoal e profissional. “Hoje contamos com doações, aqueles que doam para o nosso projeto, seja pessoa física ou empresa, e os chamamos de semeadores. Atualmente trabalhamos com duas casas, mas nosso sonho é poder ajudar cada vez mais jovens a construírem uma vida de sucesso”, finaliza Djane.

Robertha enfatiza que é importante ter um objetivo e capturar as oportunidades que aparecem e, também, que é fundamental que as meninas compreendam as pautas de diversidade. “Não menos importante que abraçar as oportunidades, é compreender as pautas de diversidade para se empoderarem e saberem lidar, com mais habilidade, com os desafios que ainda temos por sermos mulheres em um mundo em que o machismo ainda é estrutural”. Para ela, a frase de Jorge Larrosa Bondía ilustra bem a ação realizada com o Celeiro Vó Tunica.

“É experiência aquilo que ‘nos passa’, ou que nos toca, ou que nos acontece, e ao nos passar nos forma e nos transforma. Somente o sujeito da experiência está, portanto, aberto à sua própria transformação.” JORGE LARROSA BONDÍA

Por: Luisa Bretas – Analista de Comunicação da Wiz